Sobre o ensino - De magistro


A visão de Tomás de Aquino, filósofo e teólogo a respeito do ensino
Este artigo expõe a visão de Tomás de Aquino em relação à Educação, se o homem pode ensinar ou Deus que lhe envia o saber. Tomás é canonizado pela Igreja Católica e é conhecido no Universo da Filosofia como Doctor Angelicus, ou seja, Doutor dos Anjos, pois foi o filósofo que mais escreveu a respeito dos Anjos. As obras mais famosas de Tomás de Aquino constituem o seu maior legado cultural em prol do conhecimento: Suma Teológica e Suma Contra os Gentios, ambas escritas em latim. 
Se o homem – ou somente Deus – pode ensinar e ser chamado mestre.
No artigo I, diz Tomás de Aquino, que o homem ensina por meio de sinais. Quando um homem apresenta sinais a outro, ou este já conhece as realidades sinalizadas ou não. Se já conhece houve ensino, mas se o sujeito ignora o que seja uma pedra, não saberá o que significa pedra.
Ensinar é de algum modo causar conhecimento intelectual em outro. Mas esse conhecimento reside no intelecto, enquanto que os sinais não estão na esfera do intelecto, limitando-se a potência sensitiva.
O conhecimento é um acidente, e o sujeito não muda o sujeito. O ensino seria uma transfusão de conhecimento do mestre ao discípulo. Logo um homem não poderia ensinar a outro homem. O conhecimento é causado interiormente na mente e não externamente no sentido: daí que o homem é ensinado só por Deus e não por outro homem.
Como diz Agostinho em seu De Magistro: “Só Deus tem a cátedra nos céus e Ele ensina a verdade sobre a terra; o homem está para a cátedra como o agricultor para a árvore.

Mas se o homem é um verdadeiro professor é necessário que ensine a verdade. Mas quem quer que ensine a verdade ilumina a mente, pois a verdade é a luz da mente. O homem não pode iluminar a mente, pois somente Deus é que “ilumina todo homem que vem a este mundo.”
Se um homem ensina a outro homem, é necessário que torne conhecedor em ato aquele que é conhecedor em potência. Daí que seu conhecimento seja conduzido de potência a ato.
O conhecimento parece ser pura e simplesmente a representação das coisas na alma, pois o conhecimento é a assimilação da coisa conhecida pelo cognoscente. O saber requer a certeza do conhecimento, sem a qual não teríamos saber, mas opinião ou credulidade.
Como diz Agostinho (De gen. ad litt. III, 20). Ora, o saber é uma forma da mente e, portanto, só Deus causa o saber na alma.
A filosofia de Tomás de Aquino contempla pontos importantes que merecem destaque no que se refere a sua posição a respeito da existência de Deus e dos Anjos. O filosofo não encontrou melhor época para expor seu pensamento no século XIII, época em que a Idade Média estava no seu auge, é conhecida e celebrada por todos os estudiosos como o século de ouro.

Tomás, da linhagem dos condes de Aquino, nasceu em Rocasseca em 1225, e recebeu uma esmerada educação no mosteiro dos beneditinos de Montecassino. Em 1239 ingressa na Universidade de Nápoles e pouco depois na ordem dos dominicanos. A esta decisão fez despertar a ira entre seus irmãos que o queriam ver na ordem dos beneditinos, ao qual prezavam esmerada consideração, chegando ao ponto de trancafiá-lo no calabouço do castelo de sua família. Em 1245 é libertado e finalmente consegue ingressar na ordem dos dominicanos em Paris, sob os cuidados de Alberto magno, que foi sua maior influência, especialmente no tocante a preparação filosófica, foi ele quem o introduziu na filosofia de Aristóteles.
Tomás de Aquino é conhecido também como o boi mudo da Sicília, sempre quieto e voltado para os estudos, que os seus companheiros não perdiam tempo em desagradá-lo, como o episódio em que foi incomodado em sua cela, um dos seus colegas o chamou as pressas, dizendo que havia um boi voando por cima do mosteiro. Tomás se ergue de onde estava, e vai conferir o acontecimento. Todos os seus colegas caem na gargalhada, incrédulos de como um sábio pudesse acreditar em tamanha invenção ao qual Tomás pacientemente responde: “prefiro acreditar que um boi pudesse voar a supor que um dos meus companheiros pudesse mentir.”

Tomás era um monge totalmente fora de forma, a ponto que tiveram que cortar a mesa onde estudava em forma circular, a modo que ele pudesse encaixar perfeitamente sua barriga. Alberto Magno o considerava como um grande filósofo, chegando até mesmo a declarar: “quando este boi mugir, o mundo todo ouvirá o seu mugido”.
Após levar uma pancada forte na cabeça, Tomás ficou impossibilitado de fazer suas tarefas habituais, foi passar seus últimos anos no convento de Nápoles, compondo a Suma Teológica. A convite de Gregório X, pôs se a caminho de Lião para tomar parte do concílio que ali se realizava. Chegando a Fossanova, adoeceu gravemente na casa de sua sobrinha Francisca de Aquino. Pediu para ser levado para o claustro cisterciense. Dias depois foi encontrado morto no lavatório do monastério, numa manhã de quarta-feira, 7 de março de 1274, supostamente após ter tido uma visão de Deus. As suas últimas palavras foram: “depois do que vi tudo o que escrevi não passa de palha seca”.

Por Guilherme Paixão Campelo
Tags: filosofia, essência, substância, ente

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