O sábio e a vaquinha oportunista


Há muito tempo atrás, na Grécia, havia um jovem que desejava muito se tornar sábio. Então ele saiu em busca de alguém que lhe pudesse ensinar a sabedoria. Não tardou muito, o jovem encontrou um velho que era um renomado sábio, conhecedor das ciências e da Filosofia grega.
O velho sábio disse ao jovem:
__ Posso sim lhe transmitir a sabedoria e com prazer, mas nós devemos andar pelo mundo em busca do conhecimento.
O jovem aprendiz concordou em acompanhar o velho.


Saíram pelo mundo em busca da tão desejada sabedoria e os dias foram passando. Eles estavam cada vez mais longe de casa. Até que os dois pararam num povoado e no alto de uma colina avistaram um casebre, caindo aos pedaços.
O velho disse ao jovem:
__ Já faz muitos dias que estamos na estrada, vamos até aquela casinha do alto pedir abrigo para passarmos a noite e amanha bem cedinho continuaremos a viagem.
O jovem concordou e foram até o casebre.
Após baterem na velha porta da tapera, um casal muito amável se apresentou cordialmente e o velho lhes pediu pouso.
O casal então disse:
__ Vocês podem passar uma noite aqui em nossa casa, pois nos fundos temos um quarto de sobra e há duas camas, onde vocês podem se ajeitar e dormir tranquilamente; mais a noite, vocês têm direito a uma caneca de leite quente.


O velho protestou inconformado?
__ Apenas uma caneca de leite quente?
__ Sim, apenas uma caneca de leite quente, pois nós temos uma vaquinha que nos fornece leite todos os dias e assim vivemos a nossa vida. Esta vaquinha é a nossa salvação, pois dela é que tiramos o nosso sustento. Se esta vaquinha um dia faltar, nós morreremos de fome.
O velho sábio olhou para a situação humilde da casa, pois o casal era muito pobrezinho e viviam passando necessidade.
Não tardou muito, o jovem aprendiz e o velho sábio foram de recolher após ter tomado a caneca de leite quente, pois no outro dia teriam que sair bem cedo para dar continuidade a viagem.
Na manhã seguinte, bem cedinho, os dois já estavam de pé e se preparavam para partir, quando de repente o velho olhou para a vaquinha do casal que estava no estábulo e ordenou ao jovem aprendiz:
__Pega a vaquinha e joga no precipício.
O jovem se recusou de imediato.
__ Estou ordenando, faça o que eu mando meu jovem, pega essa vaquinha e joga no precipício.
Sem saída, o jovem tristemente empurrou a vaquinha no precipício e partiram.
Muitos nos de passaram e o jovem um dia retornou ao povoado para certificar o que tinha acontecido com o casal que sobrevivia as custas da vaquinha. Pensava ele: "devem ter morrido de fome, coitados".
Chegando ao pequeno povoado, o jovem não avistou a tapera no alto da colina, de imediato pensou o pior. Então ele resolveu bater na porta de uma bela casa, com um amplo jardim, essa era a casa mais bela do povoado, a fim de certificar o que houve com aquele casal pobrezinho.


Uma mulher o atendeu, e ele perguntou o que houve com o casal que moravam no alto da colina. A boa senhora respondeu com mansidão:
__ Ah,aquele casal somos nós. Depois que você e aquele velho sábio partiram, encontramos nossa vaquinha morta no fundo de um precipício, nós quase morremos de fome, pois faltava nos o leite de todos os dias, que era a nossa única forma de sobrevivência. Mas a partir daí, descruzamos os braços e partimos para a luta, meu esposo e eu começamos a trabalhar duro e nossa vida mudou radicalmente, até que nos enriquecemos e hoje somos o casal mais rico desse povoado.

A moral dessa estória é que o pobre casal viviam acomodados, pois havia uma vaquinha que lhes fornecia o leite todos os dias e com isso eles não precisavam se preocupar com nada. Por causa disso, a preguiça e o comodismo criaram raízes na vida do casal, impossibilitando os de lutar para almejar a prosperidade. A vaquinha era a causa da miséria do casal.
Pois em nossa vida não temos uma só vaquinha, mas sim várias, que nos faz cair no comodismo e nos impossibilita de conquistar nossos objetivos nessa vida. Para que consigamos vencer na vida, temos que diariamente jogar as nossas vaquinhas do comodismo no precipício.

Por Guilherme Paixão Campelo

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