Por que se cobrem as imagens na quaresma?


Muitos fiéis se perguntam: por que a Igreja tem o costume de cobrir as imagens durante a quaresma? Esta prática é muito antiga, remonta desde a Idade Média. Antigamente, se cobria toda a nave e inclusive o altar-mor com um vasto manto roxo e esta tradição caiu em desuso ao longo dos séculos.

As imagens sacras são cobertas por toalhas roxas a partir do quarto domingo da quaresma, mas muitas igrejas possuem a tradição de cobrir as suas imagens na quarta-feira de cinzas.
As imagens são cobertas pelo motivo de que os fiéis se distraiam ao contemplar as imagens e esquecia do sacrificio da Missa, também é uma forma de interromper a alegria dos santos e simbolizar que a igreja está em pausa.

Na quaresma, a liturgia sofre modificações radicais, como por exemplo: as missas são mais breves e omite-se o Glória e o Aleluia durante todo o período quaresmal. O credo é omitido na quarta-feira de cinzas. É proibido ornamentar os altares com flores e, na liturgia moderna é permitido apenas o uso de um instrumento musical, com a finalidade de sustentar o canto.
Anterior ao concílio do Vaticano e a reforma litúrgica, o órgão se calava durante toda a quaresma e ainda era coberto por uma toalha roxa, simbolizando o silêncio total. Os cantos eram entoados pelos fieis sem qualquer instrumento musical. O violão, a bateria, o pandeiro e outros instrumentos estridentes ficam suspensos na semana das dores e Semana Santa. As imagens sacras são retiradas dos altares e na Sexta-Feira da Paixão, não se cobre o altar com toalhas. O Santíssimo vai para o lado direito da igreja e a vela que simboliza a presença de Cristo é obrigatoriamente apagada.


Na quaresma quase não se faz batizados ou casamentos, quando ocorre exceções, os noivos se abstém de pompa demasiada.
Na liturgia moderna, essas tradições estão caindo em desuso, mas muitas cidades tradicionais como no interior de Minas Gerais, se destacando as igrejas das cidades de Campanha, Ouro Preto, Mariana e São João Del Rey, estas práticas religiosas são ainda preservadas. Mas com a reforma litúrgica, a prática de se cobrir as imagens desde a Idade Média tornou-se hoje um costume facultativo.


Por Guilherme Paixão Campelo


Guilherme Paixão Campelo é filósofo e escritor. Escreve artigos para diversos sites e blogs na internet, além de escrever sobre vários assuntos. Possui três livros publicados: Tratado sobre a Existência de Deus - Segundo a evolução do Espírito; Reflexões para uma Nova Filosofia - Do Pensamento a evolução do Espírito e  Complexo de Gramática Latina.

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